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O Bêbado e a Equilibrista / A caixa de pandora
“A esperança dança na corda bamba de sombrinha e em cada passo dessa linha pode se machucar... Azar, a esperança equilibrista sabe que o show de todo artista, tem que continuar” João Bosco e Aldir blanc
Esperança. O que seria da raça humana sem ela? É ela que nos traz perspectivas, que nos move a sonhar. No entanto, é um combustível ranzinza. Como diz a musica, é uma equilibrista numa corda bamba. Um passo errado é suficiente para ela perder o equilíbrio e cair. Às vezes, a queda só machuca mesmo. Em outras, a queda pode ser mortal. É o fim do combustível, da vontade de tentar. Seria o fim do conforto. Esperança. É o conforto. É a expectativa de dias melhores. Foi o que sobrou, por fim, no fundo da caixa de Pandora. Quando o homem se atreveu a abri-la, todos os males e sofrimentos foram soltos no mundo. A doença, a tristeza, os acidentes e, por fim, a própria morte. A abertura da caixa não deixa de ser, em última análise, uma simbologia da própria construção da consciência humana. Afinal, foi quando a caixa foi aberta, ou seja, quando o homem tomou consciência de si e de seu mundo, que surgiram todos os males. O homem deixou de apenas existir, mas tomou consciência de sua existência, de seu estado, do tempo. Do seu nascimento, crescimento e morte. No entanto, ao mesmo tempo em que o homem recebia sofrimentos devido a sua consciência e capacidade de pensar, ele também era agraciado por uma dádiva. No fundo da caixa, estava ela: a esperança. Sem ela, o homem viveria em constante angústia, o que tornaria viver insuportável ou no mínimo enlouquecedor. É a esperança, por fim, fruto de nossa consciência, que nos dá força para lutar contra todas as adversidades que encaramos, criadas também pela nossa própria consciência: a doença, a morte... Claro que às vezes a batalha pode ser desigual, fazendo com que a esperança se abale... Esse é nosso combustível: a esperança, uma equilibrista. A última artista a deixar a cena.
Escrito por Felipe às 22h47
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