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Sobre o referendo...
Amanhã será realizado o famoso referendo onde o povo deverá acatar ou não a decisão de proibir a comercialização de armas de fogo. E ainda bem que será amanhã mesmo, porque esse assunto tem sido simplesmente uma tortura pro meus ouvidos. A sessão comédia já começa nas propagandas da TV. De ambos os lados, os argumentos são os mais absurdos e simplistas possíveis. Não sei o que é pior, sinceramente. Alguém aí já inventou o detector de “homens de bem”? Ele seria bem útil, pois assim só homens de bem comprarão armas!! Eles só esqueceram que os seres humanos não são coisas estáticas, e os tais “homens de bem” podem muito bem se transformar em “homens de mal” do dia para noite. Ainda na campanha do “não”, temos a história absurda do “defenda o seu direito de comprar uma arma”. Hahahahahahaha, que piada!! Se é assim, também devemos defender o direito de comprar cocaína lá na esquina. Do lado do “Sim” também temos verdadeiras pérolas. Em grande parte, os defensores dessa posição se autoproclamam “da paz”. “Eu sou da paz”. Como se a proibição do comércio fosse fazer com que sumisse magicamente todas as armas. E ainda, como se não se pudesse matar outras pessoas com as próprias mãos, facas, cordas, enfim... E ainda, eles querem nos fazer acreditar que será mais difícil o acesso às armas... O fato das drogas serem proibidas dificulta o seu consumo? Essa proibição só vai gerar mais crime e mais violência, pois inevitavelmente o comércio ilegal aumentará. Criou-se, por fim, um maniqueísmo estúpido nesse referendo, bem ao gosto das novelas das oito. De um lado, os pacifistas defensores do Sim. Do outro, os sanguinários defensores do Não. Isso é conseqüência do tratamento simplista que a questão está recebendo. Não são feitos estudos profundos das conseqüências de tal proibição. Nem são apresentados argumentos inteligentes, mas sim um mar de lugares comum e clichês. Além do mais, acho muito errado colocar a população brasileira pra decidir isso. Ela simplesmente não tem capacidade. Aliás, pouquíssimas pessoas têm. Essa é uma decisão muito complicada, que implica em varias conseqüências sociais, que não parecem estar sendo muito bem medidas. Por fim, 50 milhões de reais estão sendo gastos com esse referendo. 50 milhões!! Essa dinheirama numa coisa que simplesmente não resolverá o problema da violência. Esse dinheiro seria muito melhor gasto em educação, combate à pobreza e ao desemprego, que são as verdadeiras causas desse nosso terror urbano. A arma não é a causa da violência, mas um instrumento seu. Por essas e por outras, sou a favor do NÃO. Prezo pela paz, e me parece que o SIM só irá piorar as coisas... Quem viver verá!
Escrito por Felipe às 23h13
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Canoão Ticudão!?
É, o título já é um tanto chamativo e por si só causa certa polêmica. Um título ticudão!! Poderoso!!! Quem nunca ouviu essa expressão antes? E parece que ultimamente ela tem sido falada mais freqüentemente ainda. No cursinho escutei ela muito nas últimas semanas. Veio dos jogos esportivos de lá a expressão que coloquei no título. A equipe de Canoas, apelidada de Canoão, era seguidamente adjetivada por “ticudão”. Rima boa. Foi lá também, na comemoração do niver dum professor, que escreveram no quadro seu nome, seguido do qualificativo “ticudão”. Ou seja, são paus grandes pra tudo que é lado. Talvez alguém esteja se perguntando aonde quero chegar com tudo isso. Não sou puritano, portanto não estou escrevendo isso para condenar essa expressão, “porque ela é feia”, “pornográfica”, “pecaminosa” ou algo que o valha. Só vim perguntar por que falar “ticudão”? Por que não poderia ser Canoão “Bucetão”? Pois é, eis a questão. Na nossa cultura machista, acho difícil alguém falar a última opção. Afinal, o poder está no falo. Ele é o centro de tudo. Nele está depositada a idéia de força, virilidade, coragem, e etc. Se o pau é o todo-poderoso, o que sobra para a mulher? Nada. O pau é o poder, mas a mulher não tem pau. Logo não tem poder. Ou assim querem os idólatras do falo. A mulher, a castrada, deveria servir ao homem, pois ele tem o “poder” e pode “dá-lo” à mulher. E nessa genitalização do poder está a origem de tantos mitos de nossa civilização: o do pau grande, o do gay passivo mulher, e por fim muito do machismo está calcado nisso. Temos então o xis da questão. Fala-se Canoão Ticudão porque ticudão dá a Canoão toda essa idéia de poder, de vitória, enfim,o homem de pau grande que come todas as mulheres e se acha o mais viril do mundo por isso. Caso se falasse num “Canoão Bucetão”, a idéia seria totalmente outra. Teríamos um sentido pejorativo nessa expressão. A que conclusão podemos chegar com isso? Que talvez haja algo de glorioso em pau grande, e pejorativo em vaginas. Superior homem, inferior mulher. O mais irônico é que eles correm atrás delas mesmo assim... Também é um tanto surpreendente quando mulheres repetem a expressão. Tive a oportunidade de ver isso lá no cursinho. Será que elas não percebem que estão se auto inferiorizando com isso?? Talvez não, isso já é algo tão arraigado na cultura que nem percebemos. Falamos muitas coisas sem nos darmos conta do que dizemos. Isso vai mudar algum dia?? É possível. Algumas coisas são fatos. As mulheres estão conquistando merecidamente cada vez mais espaços, e não tardará o dia em que estarão no mesmo patamar dos homens, ou quem sabe superiores. E veremos o apogeu e a decadência do falo.
Escrito por Felipe às 00h17
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